Antes de partir, eu ficava pensando... "vou conviver duas semanas, dia e noite, com um garoto de 13 anos, com uma personalidade totalmente diferente da minha (eu, quietão, no meu canto - ele, um foguetinho, correndo de um lado pro outro, falando de futebol e rap o tempo todo). Mal nos conhecemos, e já vamos ter essa convivência assim, intensa.", pensava.
E não é que funcionou?
"Você é sangue bom, a gente vai se dar bem", ele me disse, enquanto a gente esperava pra embarcar em Belo Horizonte. Sei que o que eu vou falar parece engraçado, mas fiquei todo cheio quando ele disse isso. Sei lá, dizem que criança diz o que dá na telha. No caso do Railander isso era verdade, pode crer rs
E a recíproca era verdadeira. O Railander era o master-sangue-bom. É claro que a gente se desentendeu. Várias vezes. Eu tinha que ficar na cola dele marcando os horários das reuniões, e tudo aquilo sufoca ele demais. Ele sabe porque está lá, e sabe que é importante, mas porra... o guri quer brincar, quer fazer bagunça. E eu tinha que fazer o contrapeso uando necessário. Mas a gente teve momentos divertidos, bonitos, com direito a cabeça no ombro, conversa de irmão pra irmão, piada de estrangeiro (sic!), um cantar e o outro batucar o assento do avião...
"Amigos" é uma palavra muito forte pra se falar assim, levianamente. Mas se amizade é feita de respeito e de cumplicidade acho é isso que a gente criou: amizade.
Na despedida, eu pedi pra ele autografar meu carnê de passagens: "Até ano que vem. Abraço. Railander"

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